PODERES DO SOM:

POLÍTICAS, ESCUTAS E IDENTIDADES

Apresentação

Em 2018, o Grupo de Estudos em Imagem, Sonoridades e Tecnologias (GEIST), da Universidade Federal de Santa Catarina, integrado por pesquisadores de diversas instituições de ensino no Brasil, propôs-se a organizar uma conferência que tratasse de um objeto muito mencionado, mas, julgávamos, pouco investigado: Sonoridades.

A I Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades – Poderes do Som ocorreu em junho de 2019, no Departamento de Artes da UFSC (Florianópolis), contando com palestras dos convidados internacionais Martin Daughtry (NYU) e Shannon Garland (UCLA) na UFES (Vitória/ES) e na PUC-RS (Porto Alegre/RS). Posteriormente, realizamos o Colóquio Poderes do Som na Unisinos (São Leopoldo/RS) em outubro, com a presença de mais um convidado especial, Timothy Taylor (UCLA). Para a nossa grata surpresa, os dois eventos mobilizaram participantes de diversos lugares do país e também do exterior. Pesquisadores de diversas áreas – comunicação, cinema, música, literatura, artes cênicas, etc. – apresentaram trabalhos que abordavam a noção de sonoridade de formas muito diferentes e igualmente ricas.

O que ficou muito claro para todos nós da organização é que, mais do que um sinônimo oportuno para nomear ou descrever fenômenos tangenciais em nossas pesquisas, o termo poderia (e deveria) ser aprimorado para dar conta de uma série de questões não facilmente delimitadas pelo que tínhamos à mão em termos de ferramentas teóricas. Difícil, às vezes mesmo tautológico. Aos poucos, vamos aprimorando as abordagens, vamos deixando as coisas um pouco mais claras. A ideia da conferência cresceu, contagiou participantes e organizadores. Alguns dos trabalhos completos, submetidos após o evento, foram selecionados para publicação neste volume.

De um modo geral, os artigos aqui apresentados refletem o que todos temos percebido nos últimos anos: um aumento significativo das pesquisas sobre som. Não apenas um crescimento de uma abordagem interdisciplinar, mais próxima do que chamamos atualmente de Sound Studies, mas igualmente uma contaminação, um desdobramento, uma reafirmação de áreas já tradicionais que, talvez, pensássemos demasiadamente autossuficientes e refratárias ao diálogo e à troca. Repetimos: não é o que vemos neste volume. Não foi o que vimos em 2019, um ano especialmente difícil para a pesquisa acadêmica no Brasil, mas que, apesar de tudo, contou com inúmeros encontros sobre som e música (como fugir dessa divisão tão problemática?) no Brasil e em outros países. O livro Poderes do Som: políticas, escutas e identidades tenta fazer um apanhado sucinto, porém preciso, dessas discussões.

Além de trabalhos científicos discutidos durante a conferência, o livro conta com versões expandidas das palestras dos nossos keynote speakers. O texto de Martin Daughtry, "Estruturas de escuta na guerra, ou quando o som é mais do que um som", apresentado como palestra de abertura da conferência, trata dos impactos físicos e psicológicos dos sons da Guerra do Iraque sobre aqueles que estiveram lá. "Exigimos o amor: a música como articulador de afetos políticos", de Shannon Garland, aborda os usos da música – e sua vinculação com a ideia de “amor” – durante a campanha eleitoral para prefeito da cidade de São Paulo, no final de 2011. Fechando o livro, temos o artigo de Timothy D. Taylor, "Circulação, valor, trocas e música", sobre a ideia do valor de objetos musicais – materiais ou imateriais – criada especificamente a partir de seus processos de circulação.

O livro inclui cinco pequenas intervenções: textos em que pesquisadores/artistas descrevem algumas das performances sonoras apresentadas durante a I CIPS. Maiores informações, bem como fotos e vídeos, podem ser encontradas na página da conferência: www.sonoridades.net/i-cips.

Gostaríamos de agradecer enormemente a todos envolvidos nesse processo. Sem o compromisso com o aprimoramento da pesquisa e do ensino de instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Unisinos, na figura de seus gestores, professores e técnicos, não seria possível uma empreitada tão ambiciosa. Agradecemos a todos os nossos colegas pesquisadores que contribuíram com pareceres, mediando mesas, colaborando assim com suas pesquisas para o crescimento da área.

Por fim, agradecemos o apoio do CNPq que tanto tem feito pela pesquisa no Brasil. Desejamos que esse trabalho continue, sempre maior, pois dele depende o futuro – pródigo, esperançoso e igualitário – que desejamos para o nosso país.

 

Os editores

Jordan Zalis - This is our House (áudio)

ZALIS, Jordan - This is Our House
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Performances Artísticas

À deriva sonora – Boitatá Incandescente, por Rodrigo Ramos

Escutas poéticas musicais, por Felipe Gue Martini

Interferência, por Fernanda Paixão

Epilepsia: Micropause Abuse, por Henrique Iwao

Estafa Mental n.1, por Marina Mapurunga

Tera em Transe, por Marcelo B. Conter & Mario Arruda

 

Presentation

In 2018, the Image, Sound and Technology Study Group (GEIST), from the Federal University of Santa Catarina, made up of researchers from different educational institutions in Brazil, proposed to organize a conference that dealt with a much-mentioned, but not so profoundly investigated term: Sonorities.

The 1st International Conference on Sound Research – Powers of Sound took place in June 2019, at the UFSC Arts Department (Florianópolis), with lectures by international guests Martin Daughtry (NYU) and Shannon Garland (UCLA) at UFES (Vitória/ES) ) and at PUC-RS (Porto Alegre/RS). Subsequently, we held the Colloquium Poderes do Som at Unisinos (São Leopoldo/RS) in October, with the presence of another special guest, Timothy Taylor (UCLA). To our surprise, the two events mobilized participants from different parts of the country and abroad. Researchers from different fields - Communication, Film Studies, Music, Literature, Performing Arts, etc – presented works that approached the notion of sonority in very different and equally rich ways.

What became very clear to all of us in the organization is that, more than a convenient synonym for naming or describing tangential phenomena in our research, the term could (and should) be improved to address a series of issues not easily delimited by that we had at hand in terms of theoretical tools. It seemed a difficult, sometimes even tautological task. Gradually, we are improving the approaches, making things a little clearer. The idea of ​​the conference grew, it spread among participants and organizers. Some of the complete works, submitted after the event, were selected for publication in this volume.

In general, the articles presented here reflect what we have all perceived in recent years: a significant increase in research on sound. Not only a growth within an interdisciplinary perpective, closer to what we currently call Sound Studies, but also a contamination, an unfolding, a reaffirmation of already traditional areas that, perhaps, we thought too self-sufficient and refractory to dialogue and exchange. Making it clear: that lack of dialogue it is not what we see in this volume. It was not what we saw in 2019, an especially difficult year for academic research in Brazil, but one that, despite everything, had countless meetings on sound and music (how to escape this problematic division?) in Brazil and in different countries. The book Powers of Sound: Policies, Listening and Identities tries to give a succinct but precise overview of these discussions.

In addition to scientific papers discussed during the conference, the book features expanded versions of the lectures by our keynote speakers. Martin Daughtry’s article, "Listening structures in war, or when sound is more than sound", presented as the conference’s opening lecture, deals with the physical and psychological impacts of the Iraq War sounds on those who were there. "We demand love: music as an articulator of political affections", by Shannon Garland, addresses the uses of music – and its connection with the idea of ​​“love” – during the electoral campaign for mayor of the city of São Paulo, in late 2011. Closing the book, we have Timothy D. Taylor’s article, "Circulation, value, exchanges and music", about the idea of ​​the value of musical objects – material or immaterial – created specifically from their circulation processes.

The book includes five small interventions: texts in which researchers/artists describe some of the sound performances presented during I CIPS. More information, as well as photos and videos, can be found on the conference page: www.sonoridades.net/i-cips.

We would like to thank enormously everyone involved in this process. Without the commitment to improving research and teaching at institutions such as the Federal University of Santa Catarina, Federal University of Espírito Santo, Federal University of Rio Grande do Sul, Federal Institute of Rio Grande do Sul, Pontifical Catholic University of Rio Grande do Sul and Unisinos, in the figure of their directors, professors and technicians, such an ambitious undertaking would not be possible. We would like to thank all our fellow researchers who contributed with feedbacks, mediating tables, collaborating through their research for the growth of the area.

Finally, we would like to thank the support from CNPq, our research funding agency, which has done so much for research in Brazil. We hope that its work will continue, always greater, as the future – generous, hopeful and egalitarian – that we wish for our country depends on it.

 

The editors

APOIO

Contact / Contato:

cipspoderesdosom@gmail.com

Grupo de Estudos em Imagens Sonoridades e Tecnologias (GEIST)